sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Fotografia


Fotografia

odete ronchi baltazar

A cadeira muda,
eu, acanhada,
olhos cintilantes de estrelas,
pés no chão.
O dia
eternizou o meu espanto.
E a minha infância
ficou para sempre
em minha mão.

odeteronchibaltazar

sábado, dezembro 18, 2010

Masquerade
















Masquerade

odeteronchibaltazar

Disfarço a voz,
baixo o tom,
visto-me de rendas e fitas,
peruca,
aquele batom.
Não adianta,
não consigo me esconder.
Sabem da canção que trago em mim.
Tenho música pronta com partituras
riscadas com perfumes
de sálvia e alecrim.
Canto, então,
em cores vibrantes
a criança que há por aqui.
Não minto,
não deixo em segredo,
sigo.
Descubro-me para a vida.
Sou eu,
eu mesma,
enfim!

odeteronchibaltazar

terça-feira, setembro 28, 2010

Nova estação

  
Nova estação

odeteronchibaltazar

Quero tardes distraídas,
arco-íris no chão.
Quero tapetes de nuvens,
ventos em brisas,
chuva fininha de montão.
Quero sol espiando em cada céu,
borboletas multicores,
passarinhos em seus ninhos
quero flores,
quero néctar,
quero mel...
Agora, fechem todas as saídas!
A primavera já está em minhas mãos...

sexta-feira, setembro 10, 2010

O risco dos meus dias













O risco dos meus dias

odete ronchi baltazar

Minhas mãos tecem carinhos
e bordam desenhos nos dias
que não têm fim.
A trama recobre meu sorriso
e deixa-o em segredos.
Nunca poderás
me ver nestes dias de pouco siso.
Não encontrarás meu olhar
nas bordaduras dos caminhos
nesses dias em que arremato
os pontos
do meu bastidor.
Sem o risco pronto,
corre minha linha
na ponta da agulha
buscando
a luz desse corredor.
Não adianta!
Não me peças que fale.
Não te mostrarei
essa minha dor.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Uns versos inda frescos de orvalho


Uns versos inda frescos de orvalho

odete ronchibaltazar

Passa o vento entre as rimas e brinca
de declamar
a poesia das manhãs.
Sol entra de fininho,
disfarça-se,
pendura-se no varal,
passeia entre os significados
e transforma o meu dia.
Hoje,
sem falta,
brincarei de poesia.

terça-feira, agosto 24, 2010

Recadinhos by odete

















Recadinhos by odete

Vi teu nome
e saltitei,
sorri,
tremulei de emoção.
É costume eu ficar assim:
a face rubra,
trêmula na voz,
taquicárdico meu coração,
quando te tenho assim
tão pertinho da mão.
Arde o peito,
falta a palavra
e não consigo escrever
algo que se aproveite com exatidão.
Mesmo assim eu digo:
só me faz bem
sentir dentro do peito
essa tão louca paixão.

odeteronchibaltazar

sábado, agosto 14, 2010

Meio-tom



















Meio-tom

odeteronchibaltazar

Num tempo em que fui cor,
sonhei ter nas mãos
o destino dos meus dias.
Quis ser a beleza efêmera,
quis manter a chama acesa,
quis abraçar o dia e a noite com o seu luar.
Tudo pintei de desejo:
azuis-ftalos do meu amor,
amarelos dos sorrisos,
vermelhos da paixão,
branco da esperada paz.
Tão coloridos eram meus dias
que a poesia nos varais
brincava ao sol e ao vento
com a alegria a tremular.
Hoje, sépias lembranças
se escondem
nas pálpebras cansadas;
e as cores, mais uma vez,
fogem ao meu gesto sem par.

odeteronchibaltazar

sexta-feira, julho 30, 2010

No cair da tarde




















No cair da tarde

odeteronchibaltazar

Entre seus escritos
deixo-me estar.
Aliviam-me a solidão desta tarde
que cai em chuvas.
Foram tão cheios de alegria!
Hoje, dizem-me das ausências
e dos choros
que me enchem o dia.
Não quero mais
ver essa espera
que cada verso teu me traz.
Quero a presença,
o afago,
a ternura.
Quero o frisson
que a poesia faz.

odeteronchibaltazar¨

quinta-feira, julho 01, 2010

Recadinhos by odete
















Recadinhos by odete

Poderia voltar a ser como antes:
tudo com poesia,
preto no branco,
luz ofuscante,
a música e o instante.
Poderia ser como dantes:
tu, aqui,
eu, ali,
tão perto
mesmo distantes.
Um jardim, um banco,
flores ou outonos,
tudo na mais perfeita ordem.
Poderia ser como foi um dia?
Não. Não conseguiria.
Sumiu assim, como os sonhos fogem.
Sépia do tempo, na fotografia,
apaga o brilho.
E o que foi, jamais seria...

odeteronchibaltazar

domingo, maio 09, 2010

Cumplicidade
















Cumplicidade

odeteronchibaltazar

Tão leve,
tão nosso
esse sentimento
que nos faz cúmplices,
tramando felicidade nas nossas manhãs.
Vira-e-mexe
desvendamos segredos,
planejamos risos,
soltamos pipas e gargalhadas.
Construímos versos bobos,
contamos casos tolos
e adormecemos
anjos sem asas,
bêbados
de poesia.

odete ronchi baltazar
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