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segunda-feira, março 26, 2012

Menina-poesia

 
Menina-poesia
 
odeteronchibaltazar
 
Quando fui menina
falava com estrelas
e escrevia versos
num céu cheio de fantasia...
Não sabia ainda minha sina,
mas já tinha nas mãos inquietas
a inseparável poesia.

 

quinta-feira, setembro 08, 2011

Livre para voar


Livre para voar

odeteronchibaltazar

Você,
que sempre esperou
pela minha aquiescência,
deve estar perdido agora,
sem saber se vai pro Norte ou pro Sul.
Eu,
aqui deste lado,
estou em minha total essência:
livre, coisa e tal,
fazendo a minha hora,
sendo o que sempre sou:
passarinho canto solto,
asas leves,
tempo pouco para tanto sonhar.

sábado, junho 11, 2011

(Re)encontro

 
(Re)encontro
 
odete ronchi baltazar
 
Tantos anos!
Tantas mudanças!
Já eras outro.
Eu havia mudado
nas solitárias andanças.
As palavras (doces palavras!)
renasceram neste dia.
As cartas amarelecidas pela tinta do tempo,
voltaram em ternuras nunca esquecidas.
Já não doía mais a distância,
e o coração bateu no mesmo compasso.
Os caminhos foram tantos!
Em todos eu procurei o teu passo
(aquele!)
que me fazia levitar e seguir em asas de paixão.
Tua volta revirou meus dias,
meus sonhos, minhas noites.
Passei a querer viver com sofreguidão,
voltei a ter desejos de espaço,
voando em asas prometidas
e alcançar, de novo, a amplidão.
 
odeteronchibaltazar

quarta-feira, abril 13, 2011

Um beijo

Imagem Gustav Klimt - "O beijo"

Um beijo

odeteronchibaltazar

O que faltava naquele beijo?
Tinha a cor das manhãs,
o cheiro do café coado na hora
e a maciez das cobertas em dia de frio.
Era um beijo com jeito de roubado,
presente em papel de seda embrulhado
e muito laço de fita.
Um beijo com gosto de dia de folga,
sabor de batata frita.
Mais que um beijo,
era a satisfação do desejo.
Era mais que um toque de lábios e línguas,
ou troca de sumos e sucos, afinal.
Era a penetração de almas em gozo.
Era puro êxtase,
tesouro precioso...
Só faltava ser real.

quinta-feira, março 31, 2011

Tu, outra vez...



Tu, outra vez...

odete ronchi baltazar

E agora que eu já tinha te esquecido... Agora que eras somente uma página guardada nas gavetas... Agora que minha vida estava tão quieta, tu me surges daqueles dias longíquos e sinto ganas de ter-te aqui a todo instante.

Agora que a dor já havia passado e meus sonhos tinham ido dormir nas cartas escritas, tu me apareces novamente com as palavras certas para saciar minha fome de te amar.

Saboreio cada letra do teu falar. E teu perfume voltou a penetrar nos vazios das noites imensas.

Agora não sei o que fazer dessa felicidade que me tomou de assalto e bagunçou a monotonia da minha vida.

Agora terei voos e saltos audacioso.

Terei rima nas mãos ávidas por versos. Terei risos, andarei descalça na chuva, deixar-me-ei levar pelo vento Sul e cantarei músicas esquecidas.

As palavras escondidas nas minhas mãos poderão, outra vez, falar daqueles dias em que fui tão feliz.

Agora repetirei aos quatro cantos do mundo: "Estou aqui esperando por tua vinda. Vem, vamos reviver aquela paixão!"

sexta-feira, março 04, 2011

Voo solo


Voo solo

odeteronchibaltazar

Perdi os sonhos em alguma esquina
e suas asas deixaram de me acompanhar
Agora,
solitários,
só têm a mim mesmo
para voar.


quarta-feira, março 02, 2011

Espanto



Espanto

odete ronchi baltazar

O dia é feito de pequenos assombros
curtas palavras,
longas esperas.
E no andar das horas
toco as asas do tempo.
Minhas mãos vagarosas
desenham sonhos lentos,
nas brancas fronhas,
enquanto não chega a aurora.
Liberto as águas vertentes
sem saber das sendas
que se abrem
no meu medo sem fim
Tu não chegaste.
Por que a demora?

terça-feira, setembro 28, 2010

Nova estação

  
Nova estação

odeteronchibaltazar

Quero tardes distraídas,
arco-íris no chão.
Quero tapetes de nuvens,
ventos em brisas,
chuva fininha de montão.
Quero sol espiando em cada céu,
borboletas multicores,
passarinhos em seus ninhos
quero flores,
quero néctar,
quero mel...
Agora, fechem todas as saídas!
A primavera já está em minhas mãos...

sexta-feira, setembro 10, 2010

O risco dos meus dias













O risco dos meus dias

odete ronchi baltazar

Minhas mãos tecem carinhos
e bordam desenhos nos dias
que não têm fim.
A trama recobre meu sorriso
e deixa-o em segredos.
Nunca poderás
me ver nestes dias de pouco siso.
Não encontrarás meu olhar
nas bordaduras dos caminhos
nesses dias em que arremato
os pontos
do meu bastidor.
Sem o risco pronto,
corre minha linha
na ponta da agulha
buscando
a luz desse corredor.
Não adianta!
Não me peças que fale.
Não te mostrarei
essa minha dor.
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