sexta-feira, dezembro 07, 2007

Ledo engano




















Ledo engano

odeteronchibaltazar

Eu disse adeus
mas não sabia
o quanto doeria,
na minha noite,
a tua ausência,
o teu silêncio
ou a falta do beijo teu.
Eu disse adeus
mas não sabia
o quanto eu sofreria...
E nem eu mesmo sabia
o quanto
ainda te desejo, anjo meu!

odeteronchibaltazar

domingo, outubro 07, 2007

Memória tem cheiro?

















Memória tem cheiro?


odeteronchibaltazar


Tenho mania com cheiros. Não suporto perfumes fortes. Sou muito sensível de nariz... Por isso só uso um tipo de perfume e tem de ser muito suave. Fico anos e anos usando o mesmo perfume... E um belo dia, sem mais nem menos, eu mudo para outro, também suave. E fico mais outros tantos anos sem mudar. Acho que acostumo com o cheiro e, como gosto de rotinas, acabo me sentindo bem com o cheirinho familiar.
O engraçado é que, quem vive à minha volta, acaba me identificando: cheirinho de dete... e também gosta.
Perfumes e cheiros são tão ricos e tão peculiares que dariam estudos e tratados imensos.
O olfato é um dos sentidos mais primitivos no homem e atentar para os cheiros em particular é uma maneira de exercer esta parte primitiva e instintiva que existe em nós. Os aromas chegam pelo nariz, tocam diretamente o coração e, alguns deles fixam-se na lembrança para sempre.
Comecem a sentir os odores que estão à sua volta e se deixem levar pelas lembranças que cada um evoca.
Odores e memória ficam ligados forever. Não é à toa que certos odores remetem às cenas que vivemos.
Para mim, isso funciona como um botão que é acionado na hora em que o nariz dá a primeira fungada. Lembranças me vêm à beira logo que sinto algum cheiro:
Cheiro do primeiro namorado, era cheiro de Bem-me-quer (perfume da Avon)
cheiro do primeiro dia de aula, igual a cheiro de goiaba,
cheiro de churrasco temperado me lembra festa de igreja,
perfume de lírios brancos lembram-me dia de finados,
cheirinho de lavanda é cheirinho da Samanta quando bebê,
cheiro de lençol de algodão branco lavado lembra cama de mãe,
cheiro de polenta me lembra a casa da nona Leocádia,
cheiro de casca de vergamotas me faz voltar aos dias de férias de julho, nos pastos do nono Bepi...
E assim, minhas lembranças tomam conta de mim e perfumam meus sentidos.
Agora é a sua vez de dizer quais os cheiros que trazem boas (ou más) lembranças...


odeteronchibaltazar


***************


P.S. uma indicação de leitura para quem é ligado em cheiros como eu:



"O perfume" de Patrick Süskind.


Excelente leitura.
"Quem se atrever a ler esse romance vai conseguir sentir os cheiros os mais diverso que permeiam a trama.
Desde o cheiro de peixe das bancas fétidas onde nasceu o personagem incrível, Grenouille, desta história até os mais insólitos aromas das meninas que ele elimina para conseguir fabricar seus perfumes.
Nascido estranhamente sem cheiro, o personagem busca o perfume que inebriará multidões e em busca deste aroma vive sem lei e sem fronteira.
Ambientado na França do século XVIII, "O perfume" é um romance que consegue ultrapassar as linhas do escrito e paira nas suas mãos como um cheiro indelével."
Vale a pena ler!
E o romance já virou filme também.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Egoísmo















Egoísmo

odeteronchibaltazar

Não me dei conta que cada tua mirada
era um poema escrito na íris
pela luz daquele amor.
Como poderia eu perceber
se para mim mesma estava voltada?
Se estive o tempo todo
remoendo minha própria dor?

sexta-feira, setembro 14, 2007

Fotografia

















Fotografia

odeteronchibaltazar

Lá estava ela
página suspensa no tempo.
Estava...
Mas já não era.
Os caminhos acentuados,
marcados por saudades e demoras.
Sonhos desencontrados
na marcação das horas.

quarta-feira, agosto 29, 2007

De sonhos e pesadelos
















De sonhos e pesadelos

odeteronchibaltazar



Dia de prosa e eu sem assunto. Dia de contar causos e eu sem nenhum. Que fazer numa situação dessas? Contar sobre o sonho que tive? Vai ser complicado, porque quem consegue contar sonho de maneira linear? É tudo tão atrapalhado, corrido, que só pensamento acompanha. Mas vou mesmo é falar dos sonhos de maneira geral, porque os sonhos, ah, os sonhos, quem não os tem?
Eu faço terapia, mas nunca perguntei ao analista o que significa sonhar com telefones que não têm números. Eu tento (no sonho) discar, mas não consigo. As teclas se mexem ou não aparecem no lugar, os números são sempre indistintos, apagados, nebulosos, uma aflição! Com coisas escritas é a mesma coisa: nunca consigo ler! Viro analfabeta, mal fecho os olhos. Isso é outra coisa que tenho de perguntar ao analista. Pelo jeito esses meus sonhos vão render muito... pro analista.
Outra coisa que aparece freqüentemente, e que dá muito trabalho nos sonhos, são as escadas, sempre tão estreitas e curtinhas que o pé mal cabe nelas. Eu até consigo subir, mas descer, nunca!
E avião caindo? Nunca sonharam? Sonho sempre. Noite passada, dois caíram. Estavam fazendo treino de guerra.
Por certo meus sonhos dão matéria pra filmes. De terror. Por isso acordo tão cansada, parecendo carregar a cama nas costas! Isso sem falar que falo, grito, choro, esperneio, ronco... Meu marido, pobrezinho é que vê e escuta tudo com paciência e tenta me acalmar: "Doninha, calma. É só um sonho...Doninha?"
Mas tenho sonhos que gostariam que se repetissem eternamente: os de voar. Ah, gente! Como é bom voar! Eu faço vôos rasantes e não preciso me esforçar muito. Vôo rápido, vôo suavemente, vôo gostoso, leve, livre e solta. A Samanta, minha filha, diz que também voa, mas tem de sacudir os braços, como se fossem asas...
Dormir e sonhar ainda me fascina de tal maneira, que gosto de escutar o que todos têm a contar sobre seus sonhos. Todos têm matéria diferente, inusitada, surrealista mesmo.
Você gostaria de me contar sobre os seus sonhos? Eu adoraria escutar...

sábado, julho 28, 2007

Sonho de amor perfeito

Sonho de amor perfeito

odeteronchibaltazar

Porque ouço tua voz,
meu coração em festa,
descompassado, se agita.
Canto em cores vibrantes,
faço fita,
danço na ponta dos pés
tuas secretas coreografias,
saltito entre as nuvens,
invento histórias,
vivo o real ou a fantasia?
Porque somos nós,
a sós,
insisto, incito, excito, imito, desminto...
Sou eu ou tu?
Somos um só, concluo...
Somos nó bem feito, afirmo...
E juro de pés juntos:
"Jamais tive um amor tão lindo
dentro do meu peito!
Te amo,
meu sonho de amor perfeito!"

odeteronchibaltazar

sexta-feira, junho 29, 2007

À noite... só...


















À noite... só...

odeteronchibaltazar

Falo para a noite que chega
e não encontro consolo.
Digo que não mais esperarei
mas aqui estou,
outra vez,
colando pedaços
que espalhei pelas tardes
à espera de teus beijos.
Falo somente para a noite
pois ninguém mais entenderia
esta espera
feita de cores e fitas.
Só a noite
me propicia
esconderijos nas esquinas.
Só a noite
mantém este segredo
que já nem sei guardar.
Só a noite me diz:
"Espere. Ele há de chegar!"

odeteronchibaltazar

quinta-feira, junho 07, 2007

Poema para um dia frio











odeteronchibaltazar

Chegaram-me os teus carinhos,
chegaram-me as tuas palavras,
e o dia,
que estava em frio embrulhado,
abriu-se em sol e sorrisos.
Vieram tão silenciosos,
chegaram tão de mansinho...
Não fosse um dia de frio,
passariam despercebidos.
Tão pouco eu quero,
tão pouco eu necessito!
Por favor, amor,
mantém para sempre
meu coração aquecido.

odeteronchibaltazar

domingo, maio 27, 2007

Só segredos



















Só segredos

odeteronchibaltazar

Em segredo,
deixo por aqui as palavras
que disseste ao meu ouvido,
tão baixinho,
que quase não escutei,
mas, cuidadosamente, guardei...
Aqui, fica o dito pelo não dito,
aqui fica o beijo
e o desejo,
o frisson, o arrepio,
a flor e o amor.
Em segredo, aqui,
deixo a paixão
que um dia fez, do inverno,
intenso calor de verão.

odeteronchibaltazar

segunda-feira, abril 30, 2007

Adeus em início de inverno



















Adeus em início de inverno

odeteronchibaltazar

Estendi minhas mãos ao teu encalço,
mas já ias embora
e não viste o meu pedido,
nem meu peito ferido,
nem o meu frio,
nem o rio que se formou em volta de mim.
Teus olhos já miravam noutra direção.
E eu fiquei ali,
sem saber se te chamava de volta
ou se, simplesmente,
deixava que fosses,
assim,
de repente,
como vão todos os amores.
Num dia está ali, chama acesa,
queimando a solidão.
Noutro, chuva fininha,
frio,
e a gente sozinha,
andando na contramão.

odeteronchibaltazar

quinta-feira, março 22, 2007

Viciada? Quem? Eu?















Viciada? Quem? Eu? (parte 1)

odeteronchibaltazar


Levanto, pela manhã, com pouca vontade de acordar. Sigo o caminho da cozinha só pelo faro. Meu marido está fazendo o café, aprontando a mesa, colocando cachorros no canil...
Há algum tempo esse ritual matutino era meu. Levantava sempre muito cedo. Seis horas era o ideal para mim. Não tinha amanhecido direito, tudo estava quietinho, fresquinho ou bem friozinho. Eu fazia o café, e ia para o jardim, mesmo de camisola, roupão e chinelos com uma xícara de café preto na mão. Sentava com os gatos ao redor e ficava escutando os passarinhos, sentindo a brisa gostosa do amanhecer e querendo que ficasse sempre assim: amanhecendo.
Mas as horas passavam, cada um ia acordando, levantando, se arrumando e pegando o seu rumo: faculdade, trabalho.
Eu ficava em casa com minha rotina de dona-de-casa-de-todo-dia-ter-de-fazer-a-mesma-coisa.
Nunca me queixei desses trabalhos todos. São necessidades do dia-a-dia. Têm de ser feitas de um jeito ou de outro. Aliás, sempre gostei muito de arrumação, de faxina, de decoração de casa. Como se eu continuasse a brincar de casinha, igual aos tempos de crianças, lembram?
Mas algo em minha vida tem mudado. Só não sei qual foi o instante em que isso aconteceu.
Não consigo mais acordar cedo. Não tenho mais necessidade de brincar de casinha. Não tenho mais tempo de ouvir os passarinhos.
Agora, a primeira coisa que faço ao acordar é ligar o computador e abrir o outlook para baixar as mensagens, para ver se tem algum email de vida ou morte que tenha que responder, abrir os programas de fotos para formatar um poema meu ou daquele amigo que me pediu na semana passada e que tinha me esquecido, ver quem ficou pela madrugada afora na net... tudo isso, antes mesmo antes de tomar o cheiroso café, preparado pelo meu marido. E falando nele, cadê? Já saiu, é mesmo. Era ele dando um tchau ainda há pouco. É... acho que era...
Meus gatos, agora, é que vêm atrás de mim. Os passarinhos? nem sei se cantam mais... tarefas da casa? Faço o mais rápido que puder. Tenho de responder aquelas centenas de emails que deixei na caixa de entrada. As flores, deixo-as no jardim mesmo, que não tenho mais tempo de colhê-las e colocar em vasos. As toalhas engomadinhas são de um passado, onde a brincadeira preferida era brincar de casinha. Agora brinco de outra coisa. Brinco de internet, de fotomontagem, de fazer papel de carta, de reduzir música mp3 para wave, brinco de transformar imagem jpg em gif, me divirto em aplicar filtros em imagens, esqueço da vida escrevendo poemas e crônicas e mensagens para o mundo inteiro, e faço essas coisas deliciosas que me fazem esquecer das tristezas da alma.
Aqui em casa dizem que estou viciada em computação, internet, emails, essas coisas. Dizem que me transformei em uma nerd. Eu acho que não. Posso passar quantas horas eu quiser sem ler um email, sem chegar perto do computador. Isso mais do que prova que estou "limpa", sem vício algum... Opsssss, peraí... Está chegando email... com licença.

odeteronchibaltazar

segunda-feira, março 12, 2007

Cheiro de goiaba




Cheiro de goiaba


odeteronchibaltazar


Quando entrei na escola, eu ia fazer 7 anos (ano de 1960) e nunca tinha freqüentado nenhum jardim de infância. No primeiro dia de aula, fui com uma pasta de couro, um caderno, lápis, borracha e muita apreensão. Medo. Pavor mesmo.
Quando me colocaram em fila e entrei na sala de aula, ainda estava de olhos secos, mas não demorou muito e eu comecei a ficar ansiosa, pois não sabia segurar o lápis nem desenhar o aeiou. Foi aí que desandei a chorar e nada me consolava. Uma coleguinha apiedou-se de mim e me ofereceu uma goiaba para ver se eu parava com aquele berreiro, mas qual! Coloquei a goiaba na pasta e continuei a chorar. Fui para o recreio com a goiaba amassada e com o gosto de lágrimas. Minha coleguinha não me abandonou. Mas para mim, o mundo tinha acabado.
Nunca o tempo me pareceu tão estático! As horas não passavam. E eu continuava a chorar.
D. Maria Bonfante, uma professora que era nossa vizinha, vendo o meu estado, levou-me para o gabinete (sala do diretor) e depois levou-me para casa.
Do meu primeiro ano foi somente esta a lembrança que me ficou. O choro e o cheiro. De goiaba.
Por que esta lembrança me chegou?
Simples. É epoca de goiaba e o cheiro está no ar.


odeteronchibaltazar

sábado, março 03, 2007

Em preto & branco

















Em preto & branco

odeteronchibaltazar


Na tarde silenciosa busquei qualquer coisa que denunciasse tua passagem em meus dias,
mas não encontrei sequer uma linha,
uma pontinha de algum fio que marcasse teus rastros.
Nada.
Tudo em branco,
tudo na mais perfeita solidão.
Não sei se ainda busco te encontrar
para aliviar minha saudade
ou se é apenas costume de procurar-te entre minhas lembranças
que já nem são tão claras assim.
Guardo-te mais uma vez bem escondido de mim.
Lá ficarás até que eu decida
que minha vida precisa de mais cor.
Por enquanto sigo em preto-e-branco.

odeteronchibaltazar

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Marido na cozinha




















Marido na cozinha

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Vivem me perguntando o que meu marido faz na minha cozinha. E eu lhes digo:
meu marido se aposentou. E como trabalha somente no período da tarde, resolveu se adonar de um dos meus últimos redutos: a cozinha.
Já notaram que todo homem que se aposenta acaba se metendo na cozinha?
Uns por curiosidade, outros por falta do que fazer e outros ainda, por necessidade de controle. Claro, querem controlar tudo na casa, até o que se come!
Ou será que querem competir com a mulher pelo título de "Rainha do Lar"?
Lembro do meu pai ao se aposentar e ficar sem nada para fazer em casa. É claro que começou a dar pitacos na cozinha. Até pão queria ensinar minha mãe a fazer. E olhem que a minha mãe é daquelas mães que cozinham uma comida de dar água na boca! Não se criou. Minha mãe enxotou-o do seu espaço e ele teve que se contentar com o jornal e a tv.
No caso do meu excelentíssimo marido ele tem a mania de querer controlar tudo na casa e eu, como boa esposa, obedeço. Se ele quer mandar também na cozinha, que mande! Não disputo território. Mesmo porque esse lugar nunca me apeteceu mesmo. Vou brigar se ele quiser entrar no meu computador. Aí, sim, vai ver o que é bom pra tosse!
Das suas investidas na cozinha eu não reclamo. Por que eu iria brigar se ele cozinha com gosto e eu gosto que ele cozinhe? Faz tudo com o maior ânimo e até aprendeu a ajeitar a bagunça que faz quando cozinha.
No começo era um desastre. A comida saía sem gosto ou queimada ou indigesta. A lambaça que fazia para fazer um mero e simples arroz dava nos nervos (Naquele tempo ele não limpava nada direito).
E eu, como boa esposa, fui deixando que ele fizesse os seus "remelexos" sem reclamar, apenas dava dicas de como deixar a cozinha organizada e desengordurada enquanto cozinhava (é claro que eu arrumava tudo depois, mas não custava nada ensinar. Quem sabe mais tarde, ele, além de cozinhar deixasse a cozinha um primor?)
Meus esforços valeram a pena. Agora tenho comida gostosa, e tenho cozinha limpa sem trabalho algum.
Ele vive pegando receita no "Mais você" da Ana Maria Braga e já quer fazer um caderno com receitas. Hummmmm
Tem coisa mais gostosa do que um marido que adora cozinhar?
Tem nada!

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sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Tinha um buraco na cerca










odeteronchibaltazar

Não se dava importância ao fato do buraco estar naquele lugar...
Por lá era fácil de passar para o terreno do vizinho para brincar. E nem precisava consertar a cerca. Não havia ladrões naquele tempo tão antigo da minha infância.
Só o bicho-papão, mas bicho-papão não entra por buracos da cerca. Ele simplesmente aparece quando quer. Magicamente. Ou seria melhor dizer... sinistramente?
Mas eu estava falando daquele buraco na cerca da minha infância onde conseguíamos passar para o outro lado, onde as brincadeiras eram mágicas. Não precisávamos fazer-de-conta. Lá do outro lado era real. E as brincadeiras eram verdadeiras aventuras que duravam um dia inteiro e se prolongavam pelos sonhos risonhos em fronhas brancas como a inocência que queríamos perpetuar.
Todos os dias, passávamos para o outro lado e quando retornávamos estávamos mais experientes e ricos um tantão assim.
E de passar todos os dias pelo buraco na cerca, crescemos.
A mágica não existe mais.
Conservo o medo do bicho-papão. Mas quem não tem?
odeteronchibaltazar

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Sonhos, tão somente

















Sonhos, tão somente...

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Em sonhos
viajo nas asas
deste amor sem fim.
Só assim,
tenho-te em mim.
Escuta o que digo:
Em sonhos,
te encontro, enfim...

domingo, janeiro 21, 2007

Eram amores os meus amores?

Eram amores os meus amores?

odeteronchibaltazar


Sempre fui muito apaixonada. Entrava de cabeça em tudo que iniciava, mesmo não terminando depois. Iniciava cursos e amores com a mesma intensidade. Não importava se os concluiria. Importante era iniciar com garra. E assim como me apaixonava, também me decepcionava com a mesma rapidez.
Tive muitos amores e a todos tive o mesmo cuidado e a mesma paixão. Desde os amores de infância, aos amores tardios.
E sempre disse com todas as letras o quanto amava. Posso ter me arrependido pelo que não fiz. Nunca pelo que fiz.
Acho que o único que nunca eu tive coragem de me declarar foi o meu primeiro amor. Mas ele sabia. Bastava isso... Hoje me arrependo de nunca ter dito a ele o quanto me fazia feliz por simplesmente existir em meus dias e o quanto ele iluminava minha infância. Era um menino sardento de cabelos avermelhados e olhos espertos que morava na frente da minha casa e bastava eu ir à janela para vê-lo. Cada mirada era uma festa para meu coração.
Depois tive a paixão pelo vizinho ao lado. Desta vez, eu já podia dançar e podia tocá-lo (suprema felicidade!) nas poucas vezes que dançamos. Ficava um gosto de quero mais quando o ouvia cantar em sua casa para chamar minha atenção.
E tive meus amores dos tempos de escola. A cada ano uma nova paixão. A cada paixão mais amor eu tinha.
No colegial amei demais meu primeiro namorado, meu primeiro beijo, minha primeira dor de amor.
Depois vieram outros e outros tantos meninos por quem me apaixonei "perdidamente".
Aos tantos amores (pois foram muitos) eu sempre tinha minha declaração na ponta dos dedos, escrevendo muitos bilhetes ou cartas. Amores que iam e vinham em meus dias e ocupavam minhas fantasias adolescentes, mas sempre foram cheios de muita ilusão.
Sempre eram amores "para sempre". E, embora tenham durado somente uma estação ou um ano escolar, guardo cada um em papéis de sedas embrulhados com muito cuidado. Abro-os em dias de solidão ou em noites silenciosas. E então sou feliz pelo muito que amei.
Aos meus amores de menina, minha doce saudade!

odeteronchibaltazar

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Porque estou feliz












Porque estou feliz...

odeteronchibaltazar

Não me surpreende o sorriso matreiro
que ora pinta no meu rosto.
Ele é a bandeira desfraldada,
o outdoor escancarado
da minha alma em festa.
Agradam-me as asas dos pés
e o brilho de asas de borboletas
no olhar.
Encantam-me as risadas cristalinas
dizendo versos
em dourados de outono.
Divirto-me com as bolhas da água da chuva na calçada a salpicar
meus sapatos.
Saboreio o vento revirando
as toalhas no varal.
Colho raios de sol
em cada folha do jasmim,
bebo cristais das folhas luzidias pela manhã...
Danço serelepe em nuvens
grávidas de chuva.
Encontro adjetivos em verbos prontos.
Sou palavra pronta para ser lida,
começo e final,
a mão que cabe em tua luva,
o despertar dentro do sono...
Tenho a sede e a água,
a frase e o último ponto,
a caneca e o café.
De todos os bens que tenho a declarar
eu digo sem pestanejar:
Estou aqui à tua espera,
tenho asas prontas para voar.

odeteronchibaltazar

terça-feira, janeiro 09, 2007

Mesmo assim














Mesmo assim

odeteronchibaltazar

Não tive teu cheiro
nem teu toque.
Mesmo assim
estavas
entranhado em mim.
Não tive teus versos
nem teu beijo.
Mesmo assim
eu te li
nas entrelinhas
dos teus silêncios sem fim.

odeteronchibaltazar
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