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quinta-feira, agosto 11, 2011

Vida, casa e jardins


odeteronchibaltazar

Li um artigo sobre casas mortas e casas vivas, fazendo alusão ao movimento que essas casas teriam, ou não, de acordo com a vivência do povo que nelas morassem.

Já tinha me dado conta disto e já vinha observando as casas que visitava.

Já entrei em casa onde me pareceu estar em uma vitrine de "casa&jardim", com nadica fora do lugar, como se esperassem por fotógrafos a qualquer momento. Nem um copo na pia, ou um livro largado no sofá, ou uma toalha esquecida em cima da cama, ou um chinelo jogado ao lado da cama... Um gato no sofá? Nem pensar!

Os porta-retratos simetricamente arranjados nas prateleiras tinham sorrisos arrumadinhos e anti-simpáticos. As almofadas fofas eram gordas e intactas no sofá branco asséptico. As cadeiras perfiladas ao lado da mesa esperavam pelos convivas em dia de faustos jantares programados com sorrisos nos devidos lugares. As camas com as colchas sem uma preguinha sequer denunciavam que naquele lugar era proibido se espreguiçar fora de hora ou ler um livro deitado com montanhas de travesseiros nas costas.

As janelas e as cortinas fechadas não deixavam o sol (que pretensão!) entrar. O vento era amaldiçoado. E tudo ficava num silêncio que doía nos ouvidos.

Comecei a gostar das casas onde, na pia, sempre tinha umas xícaras com restos de café ou copos com suco, prontas para serem lavadas, e a chaleira sempre, no fogão, à espera de água para mais um café da hora.

Passei a achar poético, mais do que desleixo, os brinquedos deixados no tapete, ou a bola largada no jardim, ou a bóia flutuando na piscina. E os tênis largados na grama com as meias que o labrador roeu? Quer mais sinal de que existe vida nessa casa?

Para mim, um livro largado no sofá ao lado de uma xícara de café e dos óculos de leitura passou a ser mais uma cena de pintura (still life) e não um motivo para me descabelar para correr e pôr em ordem.

Mas tempo já houve em que eu ficava exausta tentando apagar qualquer vestígio de vivência dentro de casa. E como na minha casa a vida pululava, eu vivia em eterna briga com a vida, tentando amortizar e amordaçar, querendo deixar tudo inerte, silencioso, descolorido.

Só que tenho algo dentro de mim mesma que deixo escapar e que não consigo colocar em ordem por mais que eu queira. E isso se reflete no exterior, nas minhas coisas e no que me rodeia. Tenho as janelas sempre abertas com o vento a brincar nas cortinas, os gatos deitados nos sofás, as roupas no varal, a chaleira no fogo, o ursinho da netinha no tapete e os chinelos largados no meio da casa porque gosto de andar descalça e os cabelos ao vento. Minha casa nunca será fotografada pela produção da "casa&jardim" pois sempre terá risos e ventos espalhados pelos cantos todos, numa desordem amorosa e aconchegante. Quem olhar mais atentamente, vai perceber que por aqui, a vida anda à solta pelos quartos, salas e pelo jardim.

odeteronchibaltazar
 

quinta-feira, julho 21, 2011

Espanto



Espanto

odete ronchi baltazar

O dia é feito de pequenos assombros
curtas palavras,
longas esperas.
E no andar das horas
toco as asas do tempo.
Minhas mãos vagarosas
desenham sonhos lentos,
nas brancas fronhas,
enquanto não chega a aurora.
Liberto as águas vertentes
sem saber das sendas
que se abrem
no meu medo sem fim
Tu não chegaste.
Por que a demora?

odeteronchibaltazar

quarta-feira, abril 13, 2011

Um beijo

Imagem Gustav Klimt - "O beijo"

Um beijo

odeteronchibaltazar

O que faltava naquele beijo?
Tinha a cor das manhãs,
o cheiro do café coado na hora
e a maciez das cobertas em dia de frio.
Era um beijo com jeito de roubado,
presente em papel de seda embrulhado
e muito laço de fita.
Um beijo com gosto de dia de folga,
sabor de batata frita.
Mais que um beijo,
era a satisfação do desejo.
Era mais que um toque de lábios e línguas,
ou troca de sumos e sucos, afinal.
Era a penetração de almas em gozo.
Era puro êxtase,
tesouro precioso...
Só faltava ser real.

sexta-feira, março 04, 2011

Carnaval



Carnaval
odeteronchibaltazar

Nestes dias de folia
quero me esconder
do mundo,
e despir,
só para ti,
a minha fantasia.

Voo solo


Voo solo

odeteronchibaltazar

Perdi os sonhos em alguma esquina
e suas asas deixaram de me acompanhar
Agora,
solitários,
só têm a mim mesmo
para voar.


quarta-feira, março 02, 2011

Espanto



Espanto

odete ronchi baltazar

O dia é feito de pequenos assombros
curtas palavras,
longas esperas.
E no andar das horas
toco as asas do tempo.
Minhas mãos vagarosas
desenham sonhos lentos,
nas brancas fronhas,
enquanto não chega a aurora.
Liberto as águas vertentes
sem saber das sendas
que se abrem
no meu medo sem fim
Tu não chegaste.
Por que a demora?

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Fotografia


Fotografia

odete ronchi baltazar

A cadeira muda,
eu, acanhada,
olhos cintilantes de estrelas,
pés no chão.
O dia
eternizou o meu espanto.
E a minha infância
ficou para sempre
em minha mão.

odeteronchibaltazar

sexta-feira, setembro 10, 2010

O risco dos meus dias













O risco dos meus dias

odete ronchi baltazar

Minhas mãos tecem carinhos
e bordam desenhos nos dias
que não têm fim.
A trama recobre meu sorriso
e deixa-o em segredos.
Nunca poderás
me ver nestes dias de pouco siso.
Não encontrarás meu olhar
nas bordaduras dos caminhos
nesses dias em que arremato
os pontos
do meu bastidor.
Sem o risco pronto,
corre minha linha
na ponta da agulha
buscando
a luz desse corredor.
Não adianta!
Não me peças que fale.
Não te mostrarei
essa minha dor.
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