quarta-feira, março 01, 2006













Destino

odeteronchibaltazar

Desdobro-me,
reparto-me,
divido-me,
mas continuo una.
Cósmica alquimia,
a manter-me
- sempre tua -
inteira,
suspensa,
em tua mão.

odeteronchibaltazar

terça-feira, fevereiro 21, 2006













Eu tenho

odeteronchibaltazar

Eu tenho o teu riso
em claridades
que iluminam os meus dias
e realizam as minhas noites em harmonias.
Eu tenho
as tuas palavras que aquecem
os meus versos
e que vivem em minhas poesias.
Eu tenho a tua voz
que brinca em semitons
e me faz viver em fantasias.
Eu tenho o sonho,
tenho o real,
tenho o concreto
e o virtual.
Tenho a ti,
minha doce companhia
intemporal...

odeteronchibaltazar

terça-feira, fevereiro 07, 2006













ESTRIPHULIAS

odeteronchibaltazar

Dia de ser peralta,
comer mariscos,
lamber teus petiscos
ficar alta,
estonteante,
em pêlo.
Percorrer teu corpo
com desvelo,
cuidados de principiante,
atos de amante,
deixar tesão rolar.
Hoje é dia de
beber os sucos,
penetrar em sulcos
que porventura encontrar.
Hoje é a fantasia quem manda,
e eu, mulher sem pudor,
o desejo comando, de pé,
de quatro ou na cama.
E tu,
homem que adoro o sabor,
saiba que hoje
é dia de entrar na ciranda.

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Em dias assim

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Em dias assim
visto-me inteira
com teus beijos
de língua
a moldar-me o corpo
em chamas.
Em dias assim
viro atriz,
ergo o palco
e ensaio um melodrama.
Em dias assim
fico faceira
esqueço o "lá fora",
deleto as horas,
fico de bobeira
enrolada no teu abraço.
Em dias assim
não desato os laços
mimo meus desejos
quero os teus beijos
sempre a ninar-me
de cabo a rabo.

odeteronchibaltazar

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Arco-e-flecha

odeteronchibaltazar

Viro e mexo,
volteio,
arqueio,
remexo nas lembranças,
nas trancas e tramelas
dos meus anseios.
Deixo tudo de lado,
sem nexo,
desdobrado.
Curvo-me aos teus desejos
e não canso jamais.
Em arco, flexiono verbos,
construo castelos
-os tais-
e invento maneiras
e digo asneiras
e quero tudo:
o anoitecer e a aurora.
Quero tudo e mais.
Quero os teus beijos
e teu convexo,
e todos os sulcos
e quero os sumos
que me embebedam
que me fazem esquecer
inteira e completamente
os dias que passei sem ti.
Quero esquecer
que existem as horas,
quero o aqui e agora,
Quero-te inteiro,
em flecha,
somente para mim.

odeteronchibaltazar

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Sem mais delongas

odeteronchibaltazar

E digo que te quero
e digo que te espero
em riste,
só meu,
sem chiste
ou adulação.
Na hora H
não tenho papas
na língua
pois só quero te amar
seja do jeito
que for.
Com trejeitos,
mil falas,
carinhos,
enfeites,
e tu,
eu quero
satisfeito,
ao meu lado,
exausto,
no chão...

odeteronchibaltazar

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Teu meu desejo

odeteronchibaltazar

E hoje eu quis te amar inteiro,
desejo feito mulher,
toda nudez sem castigo.
Quis espalhar em teu corpo o meu beijo,
brincando contigo em meus braços,
e te envolver,
nua,
em meus laços.
Hoje quis ser tua amante,
um brinquedo só,
um luxo de instante.
E porque quis ser tua,
conheci o paraíso,
esta coisa louca,
vício louco e sem juízo,
apenas querendo ter.
Lindo,
esse nosso amor maluco:
dia-sim-dia-não,
quer apenas e tão pouco,
ser dois em um só coração.

odeteronchibaltazar

quarta-feira, janeiro 11, 2006











Tatuagem

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Deixa-me vesti-lo
com meus desejos
para que mores
mais tempo em mim.
Deixa-me respirar
brumas e garoas
e escreverei em tua pele
a maldição,
e o destino de ser
para sempre tua,
e, deste jeito,
o teu cheiro ficará
indelevelmente
em minhas mãos...

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Natal













Vesperal

odeteronchibaltazar

Se Papai Noel me trouxesse
um cartão,
uma linha,
um risco que fosse,
vindo diretamente
de tuas mãos,
ah, seria,
então,
Natal!

odeteronchibaltazar

quinta-feira, dezembro 01, 2005

de saudades













de saudades

odeteronchibaltazar

Pairam tuas palavras
em meus dias
e em minhas noites
que em insônias
deixo escorrer.
Pairam os teus olhos
em meus versos
como faróis
em mares de temporal.
E eu
em agonias,
busco as tuas mãos
que me acenam
em promessas
para livrar-me de todo mal.

dez/2005

****

de saudades

odeteronchibaltazar

E hoje teve a saudade,
triste verdade,
dos versos teus,
dispersos carinhos,
neste meu solitário céu.
E hoje teve a lágrima,
teimosa prova
da falta que me faz
um pouquinho
do riso teu.
E hoje teve a música,
senha nua,
anunciando marota,
teus esperados passos.
Hoje, que triste,
só não teve teu braço,
doce refúgio,
que me esconderia o cansaço,
me fazendo só tua.

*****

de saudades

odeteronchibaltazar

A saudade teceu um manto
sobre minhas palavras
que estão,
agora,
frias e caladas.

Já não adianta
as teias e seus cristais luzirem nas manhãs
pois meus olhos adormecerão
como sensitivas ao toque.
E as vozes dos riachos
entoarão,
à toa,
as cantigas.
E as folhas mortas
esquecerão de dar cores ao outono
ou de abafar o som dos meus passos fugidios.
Já não adianta o amanhecer com suas promessas
pois que a saudade se instalou
definitivamente em meus dias.

*****

de saudades, sempre...

odeteronchibaltazar

Hoje,
me perfumei com saudades,
olhando teu retrato amassado,
lembrança há tempos escorrida,
neste meu mundo quebrado.
Nas sobras do choro,
costuro a vida,
e me escondo da tua ausência doída.
Nas dobras do olho,
já não consigo
desfazer o nó que,
há muito tempo,
eu fiz,
nestas minhas duras esquinas.

*****

segunda-feira, novembro 21, 2005

Minha amiga Silsaboia












Sonho

Silsaboia

Não tenho medo do futuro
nem da lágrima no escuro
nem das lutas
dores e temores
que rodeiam o meu olhar...
Tenho medo só da morte
de nunca mais sonhar!

Silsaboia

****

Rasteira

Silsaboia

Ando pensativa esses dias...
pelos cantos, distraída
sem dor e sem alegria
lambendo cada ferida.

Toda vez que estou assim
nesta marasmo profundo
acabo dando rasteira
e inverto o meu próprio mundo.

Fico com cara de boba um tempo
observando a palhaçada
arquitetando o momento
da mudança de estrada.

E num piscar de olho rápido
saco da minha auto-estima
jogo fora, piso, mordo
e dou a volta por cima!

Silsaboia

****

PARE!

Silsaboia

Pare o carro!
Eu disse!
Pare!
Sou eu ali na esquina...
era eu sim... aquela menina...
Volte!
A mesma saia e bicicleta!
o mesmo jeito... alma inquieta...
olhos de asas de sonhar...
Pare agora... quero voltar!
Aonde ela foi? Em que rua está?
Quero encontrá-la...
Queria tanto perguntar...
Em que momento exato
a hora, o dia em que
ela perdeu aquele olhar?

Silsaboia

****

TEMPO

Silsaboia

Não faz assim...
Não me faz tanto medo
ao escorrer pelos meus dedos
zombando de mim...

Que eu tenho verde nos meus olhos
sementes nos cabelos
e terra fresca nos meus sonhos
pra plantar no teu jardim!

Silsaboia











Da minha janela

odeteronchibaltazar

Da minha janela avisto
a tua ausência
que se instalou
de fini tiva mente
no meu horizonte
e agora faz parte
dos meus dias,
e como visgo
cresce em meus versos,
em minha agonia.
Da minha janela avisto
a espera,
o não-dito,
o que sempre quis ser.
E sem ti,
mesmo assim,
por teimosia,
insisto em viver.

odeteronchibaltazar

domingo, novembro 06, 2005












Aquarela

odeteronchibaltazar

Dia branco
nebuloso
ensopado de névoas e segredos.

Casas quietas
caladas

disfarçando sonhos,
escondendo medos

terça-feira, novembro 01, 2005
















Ghost writer *

odeteronchibaltazar


Quando estava no Colégio Normal, lá pelos idos anos 70, eu me sobressaía na sala de aula por ser estudiosa e tirar notas excelentes. Era uma CDF assumida e era procurada pelas colegas para ajudá-las nas tarefas, trabalhos ou provas.
Tinha uma colega, vizinha de carteira, a Dora, que tirava o máximo de proveito da minha boa vontade: colava nas provas, estava sempre na minha equipe e pegava minhas tarefas todos os dias para copiar. Nem se dava ao trabalho de disfarçar sua preguiça de estudar.
Dora tinha um namorado que já estava na Capital fazendo o curso de Direito. Ele era uns cinco ou seis anos mais velho que ela, que tinha dezessete, assim como eu.
Eles se correspondiam como apaixonados que eram e um dia ela me mostrou uma das cartas e a resposta que estava escrevendo, pedindo-me auxílio para a elaboração da carta. A desculpa era que não escrevia muito bem, enquanto ele era excelente na escrita.
Ajudei-a com muito gosto. Fiquei até envaidecida em ser considerada uma boa "escritora" de cartas.
Na semana seguinte, Dora me traz outra carta do namorado e me confidencia que está sem assunto para escrever a carta em resposta. Pede-me para ler o que o namorado escreveu e dar uma idéia do que ela deve responder.
Lá fui eu, de novo, escrever a carta para o namorado dela.
Escrevi como se o namorado fosse meu e eu a namorada amada, esperando pelo amado, longe, na capital. Era um amor só! Empolguei-me, senti-me a própria namorada, e escrevi muitas páginas em papel de carta de seda. Ficou uma carta longa, amorosa, cheia de saudade e de carinho.
Dora adorou e o namorado dela, amou!
Na outra semana, Dora recebeu outra carta e me mostrou toda entusiasmada. O namorado tinha estranhado a maneira dela escrever e ficara se perguntando de onde ela tirara tanto assunto na carta anterior, mas estava feliz por vê-la tão alegre e romântica.
Dora, já sem nenhum pudor, pede-me que responda a carta no lugar dela. E começa ali, um período curioso da minha vida em que fui a namorada apaixonada sem nunca ter sido. Eu escrevia com prazer e já estava gostando daquela fantasia. Escrevia longas cartas que Dora, muitas vezes, dividia em duas para dar mais assunto ao namorado.
Sentia-me poderosa, tendo as palavras como varinha mágica que fazia aquele amor florescer. O amor era de Dora ou era meu?
Minhas eram as fantasias. De Dora, o namorado, com o qual se casou depois da formatura do curso normal. E eu? Nem fui convidada para o casamento...
Nunca ele soube da escrevinhadora das suas cartas. Não sei se desconfiou de algo. Nunca eu soube. Nem sei se estão felizes. Devem estar. Espero que estejam. Eu estou feliz e de consciência tranqüila. Sei que sou uma criadora de ilusões.

odeteronchibaltazar

*O ghost writer, é uma espécie de revisor e re-escritor das coisas alheias. Forneça-lhe informações básicas e algumas pistas de como desejas o teu texto e ele o entrega pronto. Seja este texto um discurso, uma dissertação, um panfleto publicitário, ou qualquer outro.
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