quarta-feira, setembro 19, 2007

Egoísmo















Egoísmo

odeteronchibaltazar

Não me dei conta que cada tua mirada
era um poema escrito na íris
pela luz daquele amor.
Como poderia eu perceber
se para mim mesma estava voltada?
Se estive o tempo todo
remoendo minha própria dor?

sexta-feira, setembro 14, 2007

Fotografia

















Fotografia

odeteronchibaltazar

Lá estava ela
página suspensa no tempo.
Estava...
Mas já não era.
Os caminhos acentuados,
marcados por saudades e demoras.
Sonhos desencontrados
na marcação das horas.

quarta-feira, agosto 29, 2007

De sonhos e pesadelos
















De sonhos e pesadelos

odeteronchibaltazar



Dia de prosa e eu sem assunto. Dia de contar causos e eu sem nenhum. Que fazer numa situação dessas? Contar sobre o sonho que tive? Vai ser complicado, porque quem consegue contar sonho de maneira linear? É tudo tão atrapalhado, corrido, que só pensamento acompanha. Mas vou mesmo é falar dos sonhos de maneira geral, porque os sonhos, ah, os sonhos, quem não os tem?
Eu faço terapia, mas nunca perguntei ao analista o que significa sonhar com telefones que não têm números. Eu tento (no sonho) discar, mas não consigo. As teclas se mexem ou não aparecem no lugar, os números são sempre indistintos, apagados, nebulosos, uma aflição! Com coisas escritas é a mesma coisa: nunca consigo ler! Viro analfabeta, mal fecho os olhos. Isso é outra coisa que tenho de perguntar ao analista. Pelo jeito esses meus sonhos vão render muito... pro analista.
Outra coisa que aparece freqüentemente, e que dá muito trabalho nos sonhos, são as escadas, sempre tão estreitas e curtinhas que o pé mal cabe nelas. Eu até consigo subir, mas descer, nunca!
E avião caindo? Nunca sonharam? Sonho sempre. Noite passada, dois caíram. Estavam fazendo treino de guerra.
Por certo meus sonhos dão matéria pra filmes. De terror. Por isso acordo tão cansada, parecendo carregar a cama nas costas! Isso sem falar que falo, grito, choro, esperneio, ronco... Meu marido, pobrezinho é que vê e escuta tudo com paciência e tenta me acalmar: "Doninha, calma. É só um sonho...Doninha?"
Mas tenho sonhos que gostariam que se repetissem eternamente: os de voar. Ah, gente! Como é bom voar! Eu faço vôos rasantes e não preciso me esforçar muito. Vôo rápido, vôo suavemente, vôo gostoso, leve, livre e solta. A Samanta, minha filha, diz que também voa, mas tem de sacudir os braços, como se fossem asas...
Dormir e sonhar ainda me fascina de tal maneira, que gosto de escutar o que todos têm a contar sobre seus sonhos. Todos têm matéria diferente, inusitada, surrealista mesmo.
Você gostaria de me contar sobre os seus sonhos? Eu adoraria escutar...

sábado, julho 28, 2007

Sonho de amor perfeito

Sonho de amor perfeito

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Porque ouço tua voz,
meu coração em festa,
descompassado, se agita.
Canto em cores vibrantes,
faço fita,
danço na ponta dos pés
tuas secretas coreografias,
saltito entre as nuvens,
invento histórias,
vivo o real ou a fantasia?
Porque somos nós,
a sós,
insisto, incito, excito, imito, desminto...
Sou eu ou tu?
Somos um só, concluo...
Somos nó bem feito, afirmo...
E juro de pés juntos:
"Jamais tive um amor tão lindo
dentro do meu peito!
Te amo,
meu sonho de amor perfeito!"

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sexta-feira, junho 29, 2007

À noite... só...


















À noite... só...

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Falo para a noite que chega
e não encontro consolo.
Digo que não mais esperarei
mas aqui estou,
outra vez,
colando pedaços
que espalhei pelas tardes
à espera de teus beijos.
Falo somente para a noite
pois ninguém mais entenderia
esta espera
feita de cores e fitas.
Só a noite
me propicia
esconderijos nas esquinas.
Só a noite
mantém este segredo
que já nem sei guardar.
Só a noite me diz:
"Espere. Ele há de chegar!"

odeteronchibaltazar

quinta-feira, junho 07, 2007

Poema para um dia frio











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Chegaram-me os teus carinhos,
chegaram-me as tuas palavras,
e o dia,
que estava em frio embrulhado,
abriu-se em sol e sorrisos.
Vieram tão silenciosos,
chegaram tão de mansinho...
Não fosse um dia de frio,
passariam despercebidos.
Tão pouco eu quero,
tão pouco eu necessito!
Por favor, amor,
mantém para sempre
meu coração aquecido.

odeteronchibaltazar

domingo, maio 27, 2007

Só segredos



















Só segredos

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Em segredo,
deixo por aqui as palavras
que disseste ao meu ouvido,
tão baixinho,
que quase não escutei,
mas, cuidadosamente, guardei...
Aqui, fica o dito pelo não dito,
aqui fica o beijo
e o desejo,
o frisson, o arrepio,
a flor e o amor.
Em segredo, aqui,
deixo a paixão
que um dia fez, do inverno,
intenso calor de verão.

odeteronchibaltazar

segunda-feira, abril 30, 2007

Adeus em início de inverno



















Adeus em início de inverno

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Estendi minhas mãos ao teu encalço,
mas já ias embora
e não viste o meu pedido,
nem meu peito ferido,
nem o meu frio,
nem o rio que se formou em volta de mim.
Teus olhos já miravam noutra direção.
E eu fiquei ali,
sem saber se te chamava de volta
ou se, simplesmente,
deixava que fosses,
assim,
de repente,
como vão todos os amores.
Num dia está ali, chama acesa,
queimando a solidão.
Noutro, chuva fininha,
frio,
e a gente sozinha,
andando na contramão.

odeteronchibaltazar

quinta-feira, março 22, 2007

Viciada? Quem? Eu?















Viciada? Quem? Eu? (parte 1)

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Levanto, pela manhã, com pouca vontade de acordar. Sigo o caminho da cozinha só pelo faro. Meu marido está fazendo o café, aprontando a mesa, colocando cachorros no canil...
Há algum tempo esse ritual matutino era meu. Levantava sempre muito cedo. Seis horas era o ideal para mim. Não tinha amanhecido direito, tudo estava quietinho, fresquinho ou bem friozinho. Eu fazia o café, e ia para o jardim, mesmo de camisola, roupão e chinelos com uma xícara de café preto na mão. Sentava com os gatos ao redor e ficava escutando os passarinhos, sentindo a brisa gostosa do amanhecer e querendo que ficasse sempre assim: amanhecendo.
Mas as horas passavam, cada um ia acordando, levantando, se arrumando e pegando o seu rumo: faculdade, trabalho.
Eu ficava em casa com minha rotina de dona-de-casa-de-todo-dia-ter-de-fazer-a-mesma-coisa.
Nunca me queixei desses trabalhos todos. São necessidades do dia-a-dia. Têm de ser feitas de um jeito ou de outro. Aliás, sempre gostei muito de arrumação, de faxina, de decoração de casa. Como se eu continuasse a brincar de casinha, igual aos tempos de crianças, lembram?
Mas algo em minha vida tem mudado. Só não sei qual foi o instante em que isso aconteceu.
Não consigo mais acordar cedo. Não tenho mais necessidade de brincar de casinha. Não tenho mais tempo de ouvir os passarinhos.
Agora, a primeira coisa que faço ao acordar é ligar o computador e abrir o outlook para baixar as mensagens, para ver se tem algum email de vida ou morte que tenha que responder, abrir os programas de fotos para formatar um poema meu ou daquele amigo que me pediu na semana passada e que tinha me esquecido, ver quem ficou pela madrugada afora na net... tudo isso, antes mesmo antes de tomar o cheiroso café, preparado pelo meu marido. E falando nele, cadê? Já saiu, é mesmo. Era ele dando um tchau ainda há pouco. É... acho que era...
Meus gatos, agora, é que vêm atrás de mim. Os passarinhos? nem sei se cantam mais... tarefas da casa? Faço o mais rápido que puder. Tenho de responder aquelas centenas de emails que deixei na caixa de entrada. As flores, deixo-as no jardim mesmo, que não tenho mais tempo de colhê-las e colocar em vasos. As toalhas engomadinhas são de um passado, onde a brincadeira preferida era brincar de casinha. Agora brinco de outra coisa. Brinco de internet, de fotomontagem, de fazer papel de carta, de reduzir música mp3 para wave, brinco de transformar imagem jpg em gif, me divirto em aplicar filtros em imagens, esqueço da vida escrevendo poemas e crônicas e mensagens para o mundo inteiro, e faço essas coisas deliciosas que me fazem esquecer das tristezas da alma.
Aqui em casa dizem que estou viciada em computação, internet, emails, essas coisas. Dizem que me transformei em uma nerd. Eu acho que não. Posso passar quantas horas eu quiser sem ler um email, sem chegar perto do computador. Isso mais do que prova que estou "limpa", sem vício algum... Opsssss, peraí... Está chegando email... com licença.

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segunda-feira, março 12, 2007

Cheiro de goiaba




Cheiro de goiaba


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Quando entrei na escola, eu ia fazer 7 anos (ano de 1960) e nunca tinha freqüentado nenhum jardim de infância. No primeiro dia de aula, fui com uma pasta de couro, um caderno, lápis, borracha e muita apreensão. Medo. Pavor mesmo.
Quando me colocaram em fila e entrei na sala de aula, ainda estava de olhos secos, mas não demorou muito e eu comecei a ficar ansiosa, pois não sabia segurar o lápis nem desenhar o aeiou. Foi aí que desandei a chorar e nada me consolava. Uma coleguinha apiedou-se de mim e me ofereceu uma goiaba para ver se eu parava com aquele berreiro, mas qual! Coloquei a goiaba na pasta e continuei a chorar. Fui para o recreio com a goiaba amassada e com o gosto de lágrimas. Minha coleguinha não me abandonou. Mas para mim, o mundo tinha acabado.
Nunca o tempo me pareceu tão estático! As horas não passavam. E eu continuava a chorar.
D. Maria Bonfante, uma professora que era nossa vizinha, vendo o meu estado, levou-me para o gabinete (sala do diretor) e depois levou-me para casa.
Do meu primeiro ano foi somente esta a lembrança que me ficou. O choro e o cheiro. De goiaba.
Por que esta lembrança me chegou?
Simples. É epoca de goiaba e o cheiro está no ar.


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