domingo, dezembro 10, 2006

Um beijo

Um beijo

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O que faltava naquele beijo?
Tinha a cor das manhãs,
o cheiro do café coado na hora
e a maciez das cobertas em dia de frio.
Era um beijo com jeito de roubado,
presente em papel de seda embrulhado
e muito laço de fita.
Um beijo com gosto de dia de folga,
sabor de batata frita.
Mais que um beijo,
era a satisfação do desejo.
Era mais que um toque de lábios e línguas,
ou troca de sumos e sucos, afinal.
Era a penetração de almas em gozo.
Era puro êxtase,
tesouro precioso...
Só faltava ser real.

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sábado, dezembro 09, 2006

Desencanto













desencanto

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Desencanto
soa triste neste canto adormecido
em meio às dores minhas.
Desencanto voa
na ponta deste pensamento
que, de tão lido,
faz-se verbo
e habita meus escuros,
revira meus escritos,
bagunça minha lida.
Desencanto
quer meu pranto,
Desencanto
quer a minha vida.

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terça-feira, dezembro 05, 2006

Se necessário

Porque não conseguia esquecê-lo um só minuto e ficava em desassossego, tomou um Valium.
Agora poderia pensar nele sem sofrer,
posto que a distância e a ausência ficariam em névoas sem machucar.
Assim, todos os dias, acostumou-se a engolir em seco sua frustração.
E a vida prosseguiu em calmarias de superfície.

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sexta-feira, outubro 27, 2006

Em preto & branco

Na tarde silenciosa busquei qualquer coisa que denunciasse tua passagem em meus dias, mas não encontrei sequer uma linha, uma pontinha de algum fio que marcasse teus rastros. Nada. Tudo em branco, tudo na mais perfeita solidão.
Não sei se ainda busco te encontrar para aliviar minha saudade ou se é apenas costume de procurar-te entre minhas lembranças que já nem são tão claras assim.
Guardo-te mais uma vez bem escondido de mim. Lá ficarás até que eu decida que minha vida precisa de mais cor. Por enquanto sigo em preto-e-branco.

domingo, outubro 22, 2006

Lique_feito













lique_feito

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Em rios,
meu desejo percorre
a tua ausência
e em calmarias deságua
nas praias da minha solidão...

sábado, outubro 21, 2006

Ilusionismos















Ilusionismos

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Iludo-me
ao espelhar-me em teus olhos de hera
que crescem nos meus versos noturnos.
Minto-me
quando abro um sorriso
cor da tarde
que descamba em amarelos luzentes
dentro das águas da baía.
Engano-me ao escrever versos em
dias assim.

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quarta-feira, outubro 18, 2006

Entre esperas e versos














Entre esperas e versos

Ao te querer fico em esperas infindas...
Ao te esperar, choro nos meus versos tontos.
Tivesse eu outras vidas
por certo iria viver contigo os meus sonhos... tantos!
Ao te esperar, vejo-me a seguir dia a dia os teus passos
e tenho com teu coração um só compasso.
Ao te amar, desfio rosários em segredo
e o teu nome em oração
desfaz-me todos os medos.
Por favor, ouve minha prece.
Atende o chamado deste coração que teu amor tece.
E nas minhas mãos, em oração,
lê o caminho por onde me leva esta bendita paixão.

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domingo, outubro 01, 2006

Entre silêncios e ausências












Entre silêncios e ausências

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Este silêncio que nasce da tua ausência
faz-me solitária palavra na boca do poeta
querendo voar.
Sinto cada nota que sai
desta triste melodia
e embala os meus dias de sonhar.
Não fossem minha pobres rimas
estaria entre meus escritos
inutilmente a suspirar.
Sei que desta fantasia nada terei
a não ser vãs esperas
em busca do sol, de estrelas e do luar.

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quinta-feira, setembro 14, 2006

Descaminhos (Miniconto)











Descaminhos

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Foram tantos os anos que passaram que havia perdido as esperanças de reencontrá-lo. Já nem fazia mais questão. A juventude se fora. Os filhos estavam criados. A aposentadoria, à porta. Os financiamentos, quitados. Os sonhos, arquivados. As rugas faziam caminhos no seu rosto e ela se sentia uma tonta ao chorar enquanto ouvia as músicas daqueles dias. Quase ridícula. Com os olhos marejados olhava-se no espelho, esperando ver a jovem irremediavelmente apaixonada de tanto tempo atrás. Não conseguia mais lembrar do rosto dele, nem do sorriso que pintava em seu rosto nas noites em que fugiam do mundo. O tempo apagara o eco daquela voz a sussurar coisas de amor e planos impossíveis. Só não conseguira apagar a dor da ausência e o gosto da saudade que insistira em morar em sua vida. E embora o tempo e a distância tenham sido a sua companhia, aquele amor ficara escrito na sua pele de maneira definitiva e nunca pôde amar de novo tão loucamente como amara. Chorou por tudo que deixou passar. Chorou por tudo que optou.
Finalmente chorou...

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terça-feira, setembro 12, 2006










Tecendo saudades

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Teci mil saudades em noturnos teares.
E enquanto chorava aqui dentro,
lá fora,
o orvalho umedecia os ares.
Cada gota que caía dos meus olhos
era um ponto a mais
no bordado imaginário
feito com meus ais.

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