domingo, agosto 07, 2016


Saudade
 
odete ronchi baltazar
 
A tristeza se insinuou nas primeiras horas quando a noite mal dormida acabou e o sol tentou aparecer de dentro das nuvens.
A dor continuou a latejar e nem o café despertou a cura...
Um dia, um outro qualquer (entre tantos!). 
..............
O dia haveria de ser longo. 

Estenderia a saudade nos varais da manhã.

quinta-feira, agosto 04, 2016



Foi uma vez
 
odete ronchi baltazar
 
Não quero mais
a presença.
Dói de(mais).
 
Não quero mais teus olhos.
Esse amor refle(tido)
já não pode ser.
 
Não quero mais palavras doces.
Já apaguei seus significados.
 
O tempo selou minha boca,
não quero mais os beijos.
 
Não quero mais a lágrima
nem o amor repetido.
 
Não quero mais! Insisto!
Não quero mais... Reflito...
Não quero mais. Ponto final.


sexta-feira, outubro 30, 2015


Inerte

odete ronchi baltazar
 
Se eu dissesse,
se eu chorasse,
talvez não me doesse tanto assim.
Mas me calo
e me escondo
nestes poucos versos sem fim.
 


Armadilha

odete ronchi baltazar

Tive todas as chances:
todas as saídas estavam abertas,
mas quis experimentar
um louco amor.
 
Quis ver
qual era o lance.
 
E me prendi para sempre
em tua rede.
Foi demais a minha sede.


terça-feira, abril 15, 2014

 

Quando a poesia desperta
 
odete ronchi baltazar
 
  Já que acordei,
traço tua silhueta
em lençóis desarrumados,
 no quarto a media luz.
 
Sonhos em stand by,
prontos a se tornarem verbos,
transitam entre
o real e a fantasia.
 
A chuva, sonolenta,
acorda o pássaro madrugador,
e eu insisto:
quero a paz da manhã,
quero andar por esta via,
sonho com este dia sem dor.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Dos tons que vestirei

odete ronchi baltazar


Com que roupa
vestirei minha alma
agora que já não há domingos?
Eu, que sempre vesti-me
de cores,
agora os tons de cinza
permeiam meus dias.
E meus vestidos coloridos
continuarão em malas ocultas
em armários esquecidos.
Visto-me, então, de silêncios,
desdobro-me e continuo
a reza
silenciosa
em tons esmaecidos.

sábado, setembro 01, 2012


 


(Re)part(ir)

odeteronchibaltazar

Tantas coisas já dividimos, veja só:
a dor da solidão, a ansiedade da espera, o choro da saudade...
Repartimos a ausência, a indiferença...
Fizemos os dias mais leves, em intimidades vividos.
Somamos o ar que respiramos às alegrias, às palavras,
e ao verbo que se fez poema um dia.
Acrescentamos sonhos em cada gesto, amamos com delicadeza e ternura.
Tanto tivemos pra contar, tanto a tecer considerações!
Tantos risos enfeitaram as manhãs e as noites que nem sol, nem estrelas se podiam comparar.
Quantos segredos espalhamos pelas tardes!
Brevidades...
Tão pouco desfrutamos deste amar...
Agora, seguimos em diferentes direções sem falar se há choro ou riso, se há paz, se há barulhos ou sinfonia.
Fechamo-nos em chaves, trancas e tramelas.
Não há mais espaço para a poesia.
Vidas, em monótona realidade, sem ter lugar pra fantasia.

odeteronchibaltazar

quarta-feira, agosto 08, 2012


 


Vias do tempo

odete ronchi baltazar

Esse tempo que deixei escorrer entre meus dedos,
não retorna mais,
assim como
meus amores perdidos,
na linha da vida.
Nas mãos,
o destino traçado,
infalivelmente,
se cumprirá.
E eu,
incapaz de deter as rugas e sulcos
que marcam meu corpo,
bebo os dias um a um,
passo a passo.
Pressa?
Para quê?
Meu dia, um dia, chegará...

segunda-feira, março 26, 2012

Menina-poesia

 
Menina-poesia
 
odeteronchibaltazar
 
Quando fui menina
falava com estrelas
e escrevia versos
num céu cheio de fantasia...
Não sabia ainda minha sina,
mas já tinha nas mãos inquietas
a inseparável poesia.

 

quinta-feira, setembro 08, 2011

Livre para voar


Livre para voar

odeteronchibaltazar

Você,
que sempre esperou
pela minha aquiescência,
deve estar perdido agora,
sem saber se vai pro Norte ou pro Sul.
Eu,
aqui deste lado,
estou em minha total essência:
livre, coisa e tal,
fazendo a minha hora,
sendo o que sempre sou:
passarinho canto solto,
asas leves,
tempo pouco para tanto sonhar.
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