quarta-feira, setembro 28, 2005











Saudades

odeteronchibaltazar

Sei que a saudade vai machucar,
mas saudade
é um presente maroto,
presente de grego,
que sempre me dás,
com tuas flores,
tuas dores,
tuas rimas
e teus muitos amores.
Tão bons momentos,
não poderão ficar
no esquecimento
nestas voltas
que a vida dá.
Guarda-me um pouquinho
em seu coração,
pois sou pequenina,
menina faceira,
tão cheia de manha,
e caibo todinha,
inteirinha em tua mão...


odeteronchibaltazar

Crônica

Memória em quadrinhos

odeteronchibaltazar



Quando eu era menina, já adolescendo, adorava ir na casa dos meus avós. Era distante da minha casa e levávamos uns quarenta minutos para chegar lá... a pé.
A casa da nona ficava no meio de uma imensa pastagem e era lá que brincávamos com os primos ou tios.
Eu tenho um tio que é mais ou menos da minha idade, o Vilson, que fazia coleção de revistinhas do Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey e Zé Carioca. Ele comprava todas, inclusive os Almanaques, que eram as mesmas revistinhas, só que mais rechonchudas, recheadas de histórias.
Todo esse tesouro era guardado como devia: dentro de uma grande mala velha, com cadeado, debaixo da cama, no quarto dele, onde eu não entrava por respeito à privacidade.
Não lembro exatamente em que momento ele deu permissão a mim e à minha irmã, de lermos as revistinhas. Lembro somente da emoção e do frisson que eu sentia quando ele arrastava aquela mala até a varanda e a abria, deixando livre seus tesouros. Eu não via mais nada, sentada no chão, embevecida com a leitura. Mergulhava num transe que não via o passar das horas. E depois, prêmio dos prêmios, ele permitia que levássemos alguns exemplares para que continuássemos a leitura em casa. Eu adorava esse ritual de contar as revistinhas para saber quantas estávamos levando, pois antevia o prazer de tê-las para ler e reler com calma no silêncio do meu quarto.
Até hoje, sinto o cheirinho daquelas pequenas revistas que me fascinavam e me divertiam tanto. A cor, a textura, o formato, tudo era absorvido e me marcava indelevelmente. Começava aí a minha paixão por histórias em quadrinhos pois pelos livros eu já era apaixonada desde que comecei a ler.
Acho que devo ao meu tio Vilson o meu fascínio por bancas de revistas.


odeteronchibaltazar

sexta-feira, setembro 16, 2005


Poetrix Posted by Picasa
de saudades

odeteronchibaltazar

A saudade teceu um manto
sobre minhas palavras
que estão,
agora,
frias e caladas.

Já não adianta
as teias e seus cristais luzirem nas manhãs
pois meus olhos adormecerão
como sensitivas ao toque.

E as vozes dos riachos
entoarão,
à toa,
as cantigas.

E as folhas mortas
esquecerão de dar cores ao outono
ou de abafar o som dos meus passos fugidios.

Já não adianta o amanhecer com suas promessas
pois que a saudade se instalou
definitivamente em meus dias.

odeteronchibaltazar

quarta-feira, agosto 31, 2005

Minha amiga, Rosa Pena










Insônia

Rosa Pena

Ah, esse cobertor
não tem jeito!
Falta calor,
descubro os pés,
para cobrir o peito.
Ah, o lençol.
Em cima dele se faz amor.
Não importa qual é a cor.
Droga!!!Apenas eu.
Desenho de uma solitária flor.
Que horas são?
Tem lua ou sol?
Ah, esta cama que balança,
de maneira anormal,
mas bem que agüenta a dança,
calçada numa lata de Nescau.
Ah, este colchão esbugalhado.
Bem que podias estar ,
bem no meio!!!!
E eu?
- Saboreando o recheio.

(março de 2004)










Escritos dispersos

odeteronchibaltazar

Pudesse eu
mandar-te as cartas que não escrevi!
Pudesse eu
cantar-te as canções
que tentei entoar em surdina.
Pudesse volar feito ave feliz em dia de sol.
Pudesse eu...
Ah, se eu pudesse,
contigo voaria,
contigo estaria, enfim.
Mas essa humana sina,
faz-me pouca,
quase nada,
Fantasias,
sonhos, só...
Deixo-me estar, então,
louca entre meus versos,
pobres delírios,
dispersos,
sem nexo,
sem fim

segunda-feira, agosto 29, 2005


Sombras Posted by Picasa

odeteronchibaltazar

Entre as sombras e a neblina,
pude ler teu nome
escrito desde há muito
em meus versos,
e pude ver teu rosto desenhado
em véus e purpurina.
Mas o tempo voou,
marcando seu compasso
em cada linha da minha fronte,
em cada traço
desta minha eterna solidão.
Agora já não há como
capturar os dias
que fogem céleres
entre os frágeis dedos
das minhas mãos...

odeteronchibaltazar

Melancolia Posted by Picasa

odeteronchibaltazar

Entre o dizer e o não-dizer
há um rio de palavras
que sequer chegam aos meus lábios
ou sequer espalham-se pelos meus escritos.
Entre o ser tua e o não-ser
há um mundo que não decifro,
há um sentimento que sequer se insinua
por medo de se perder nos meus labirintos.
Entre tu e eu
há uma distância que me prolonga os dias
perturba minhas noites
e me faz viver em agonia.

odeteronchibaltazar
04agosto05

quinta-feira, junho 23, 2005


Aluada

odeteronchibaltazar

Hoje te espero
te quero
te amo
te adoro
te venero.
Grito teu nome à toa
pela rua...
Amanhã, já não sei.
Sou tão volúvel...
mudo mais que as fases da lua.
Posted by Hello

terça-feira, maio 24, 2005


Muito além do jardim Posted by Hello


odeteronchibaltazar

Há vinte anos o bairro onde moro tinha o triplo de vegetação de hoje que, por conta das novas construções, acabam sendo substituídas por espaços limpos, higiênicos e sem natureza alguma. Ninguém quer dispensar os cuidados que um jardim ou pomar requerem. Ninguém quer ver folhas pelo terreiro. Então acabam com tudo que possa ter o tom de verde e a cidade inteira vai se tornando cinza.
Sou apenas uma anônima defensora da natureza e seus benefícios. E nem sei se adianta fazer propaganda disto neste mundo interesseiro e frio, mas amo o verde-natureza.
O meu jardim é uma grande área em volta da casa. Tem árvores enormes e com uma certa idade, que vou podando conforme a necessidade mas que, na maior parte do tempo, são deixadas à vontade para crescerem livres. No inverno, as que ficam no jardim da frente, ficam peladinhas e as folhas secas são em grande quantidade, por isso precisa de um jardineiro pelo menos três vezes por semana.
Na primavera, o jardim de trás fica forrado com as folhas do jambolão (jamelão, baguaçu) e sua nuvem de flores. Em janeiro, são os seus frutos que colorem tudo de roxo.
Minhas árvores são intocáveis e vez por outra acabo tendo uma 'discussão' com os vizinhos que reclamam da sombra, das folhas secas, dos frutos...
Não corto, não sacrifico. Quando muito, permito uma poda para evitar maiores confusões. E assim, vivo rodeada de verde, de pássaros, borboletas, abelhas, cigarras, gambás, gatos e cães.
Plantei árvores frutíferas em pleno jardim e assim sempre tenho alguma frutinha pra beliscar. São araçás, cortiças, cerejas, pitangas, bananas, ameixas, lichias, mamão, acerola, cambucá, goiaba, laranjas, jaboticabas, anonas, tucum...
E tem as flores. Em cada época florescem diferentes espécies. As flores dos cinamomos perfumam o jardim no início da primavera. Os jasmins (gardênias), abrem-se em branco perfume nesta época do ano. As flores dos mamoeiros são uma delícia. As das laranjeiras têm perfume de anjos. As do ipê-amarelo são ouro no gramado.
Chamamos carinhosamente este nosso canto de "Paraíso" pois é aqui que nos rendemos ao sossego e aos afazeres da vida doméstica com tranqüilidade.
Enquanto eu viver, manterei este recanto em verdes e flores e acredito que será o oásis deste mundo feito de concreto e asfalto.
E a natureza me acolhe: conto os pássaros da minha janela e dou bom dia à rolinha que escolheu o tucunzeiro em frente ao meu quarto para morar, colho flores e perfumo a casa. E enquanto escrevo, os bem-te-vis gritam faceiros ao redor do ninho, o sabiá chama sua companheira para o namoro, o sinhaçu belisca o mamão e os canarinhos brincam nos beirados.
Tem cenário mais perfeito?
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